A DIREITA DE PAZOLINI E OS HOMENS QUE VIERAM DO ENTORNO DE CASAGRANDE
Postado 12/10/2026 10H01
As trajetórias de Erick Musso e Reginaldo Almeida levantam questionamentos sobre as alianças que sustentam a candidatura de Lorenzo Pazolini ao Governo do Espírito Santo
Por Charles Manga
Quem representa, de fato, a direita capixaba nas eleições de 2026? A pergunta ganha força diante da formação da aliança em torno de Lorenzo Pazolini, que conta com o apoio de lideranças nacionais como o senador Magno Malta e o senador Flávio Bolsonaro, mas também reúne personagens com trajetórias políticas que merecem ser examinadas.
A direita do Espírito Santo tem história, lideranças e correntes próprias. Por isso, a aproximação de Pazolini com representantes nacionais do conservadorismo não encerra o debate sobre sua identidade política. Pelo contrário: abre espaço para questionar se sua candidatura representa uma trajetória ideológica consolidada ou uma composição eleitoral construída para disputar o poder estadual.
Gilvan da Federal já havia questionado Pazolini
Em abril de 2024, o deputado federal Gilvan da Federal afirmou publicamente que Pazolini “nunca foi de direita”, conforme reportagem publicada pela Rádio Ativa ES.
A declaração expôs divergências dentro do próprio campo conservador e continua relevante diante do atual cenário eleitoral. Se Pazolini passou a receber o apoio de lideranças nacionais da direita, cabe perguntar o que mudou desde aquelas críticas: houve uma transformação efetiva de posicionamento ou uma aproximação motivada pelas circunstâncias políticas?
O apoio de figuras nacionais pode fortalecer uma candidatura, mas não substitui a análise de seu histórico, de suas decisões e de suas propostas.
Erick Musso e a relação política com Euclério Sampaio
A trajetória de Erick Musso também merece atenção. Ex-presidente da Assembleia Legislativa e liderança do Republicanos no Espírito Santo, ele construiu relações políticas com diferentes grupos ao longo de sua carreira. Em 2020, Erick esteve entre as lideranças que apoiaram Euclério Sampaio na disputa pela Prefeitura de Cariacica. Anos depois, passou a exercer papel de articulação em torno da candidatura de Pazolini.
Essa movimentação mostra como as alianças políticas capixabas são mais complexas do que os rótulos eleitorais sugerem. Uma relação política anterior não significa necessariamente alinhamento permanente, mas é legítimo perguntar como essas experiências se conectam aos projetos defendidos hoje. É preciso, contudo, distinguir a relação de Erick com Euclério de uma eventual ligação direta com o grupo de Renato Casagrande. Essa conexão específica deve ser demonstrada por meio de alianças, declarações ou atos públicos concretos.
Reginaldo Almeida e as redes de influência política
Reginaldo Almeida também tem trajetória na política estadual e compartilhou espaços institucionais com Euclério Sampaio na Assembleia Legislativa. Esse histórico faz parte do contexto das relações políticas construídas no Espírito Santo.
Entretanto, a participação na mesma instituição comprova, por si só, uma aliança permanente de amizade política com Euclério ou Renato Casagrande. Para avaliar a extensão dessas relações, é necessário observar decisões, apoios eleitorais, declarações e registros específicos. O histórico de Reginaldo, assim como o dos demais articuladores, deve ser submetido ao escrutínio público. Eventuais controvérsias precisam ser identificadas com precisão, sem transformar suspeitas ou avaliações políticas.
A direita capixaba tem suas próprias raízes
A questão central não é negar a legitimidade das alianças de Pazolini, mas entender o que elas representam. A direita capixaba não nasceu nesta eleição e não pertence exclusivamente a um candidato ou a um partido.
Há diferentes correntes conservadoras no Estado, com trajetórias, prioridades e avaliações distintas sobre os rumos da política estadual. O apoio de Magno Malta a Pazolini fortalece uma parcela desse campo, mas não significa que todos os conservadores estejam automaticamente representados pela candidatura.
E é justamente aí que começa a segunda parte desta reportagem: além das alianças e das trajetórias dos articuladores, episódios públicos envolvendo Pazolini e declarações de Euclério Sampaio colocam em debate o estilo político do candidato e a disputa pelo direito de representar a direita no Espírito Santo.
Continua na Parte 2: os episódios envolvendo Capitã Estéfane e Dalto Neves, a declaração de Euclério Sampaio sobre Ricardo Ferraço e a pergunta que permanece no centro da disputa: quem representa, de fato, a direita capixaba?
Categoria:






