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BANDA PODRE - EM BREVE 

Você certamente sabe o que é banda podre. A expressão está nos jornais e na boca do povo. Até os filólogos estão correndo para converter banda podre em verbete de dicionário. Fenômeno semelhante ocorreu há 46 anos, em 1954, quando a imprensa brasileira comandada pela antiga Tribuna da Imprensa de Carlos Lacerda cunhou a expressão ‘mar de lama’ que levou o presidente Getúlio Vargas ao suicídio. Depois descobriu-se que o Presidente nada tinha com as denúncias mas já era tarde.

Agora é diferente. Há pelo menos três grandes bandas podres sendo denunciadas pela imprensa: Os Prefeitos, a Câmara dos Vereadores, O Palácio Anchieta e finalmente as revelações da CPI dos Laranjas em Vila Velha. Cada uma delas tem pelo menos outras três bandinhas podres. O que soma nove focos de corrupção de bom tamanho.

A imprensa conseguirá sustentar a cobertura simultânea destas bandas podres? E, para sustentar esta cobertura múltipla não existe o perigo de infiltração de denúncias falsas? Mas, se a imprensa arrefecer não existe o risco dos escândalos caírem no esquecimento? Estes são os dilemas que hoje vamos discutir.



COLUNA POLÍTICA


Espírito Santo: quando aliados viram adversários e a coerência vira moeda de troca

Por trás dos discursos institucionais e das fotos protocolares, o que se desenha no Espírito Santo não é apenas uma disputa eleitoral antecipada é uma guerra silenciosa por poder, protagonismo e sobrevivência política.

O governador Renato Casagrande construiu ao longo dos últimos anos uma base sólida, marcada por estabilidade fiscal e alianças amplas. Mas a política raramente tolera projetos longos demais sem fissuras internas. E as fissuras começaram a aparecer.

Arnaldinho: do aliado beneficiado ao adversário estratégico

O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, foi durante anos um dos nomes que orbitavam com conforto o núcleo político de Casagrande. Parcerias administrativas, investimentos estaduais no município e alinhamento institucional ajudaram a fortalecer sua gestão.

Mas a reeleição expressiva mudou o cálculo.

Com capital político próprio, Arnaldinho deixou de ser peça do tabuleiro e decidiu mover as peças. O distanciamento do grupo governista não foi apenas ideológico, foi estratégico. E, para muitos dentro da base estadual, soou como traição.

Na política, lealdade costuma durar até o momento em que a ambição fala mais alto.

A guerra municipal que virou símbolo estadual

A eleição de 2024 em Vila Velha escancarou uma rivalidade que hoje influencia o cenário estadual: Arnaldinho versus Alexandre Ramalho.

Ramalho, ex-secretário de Segurança de Casagrande, deixou o governo estadual, vestiu outra camisa partidária e partiu para o confronto direto. A campanha foi dura. Acusações, embates públicos e ataques retóricos marcaram o processo.


O resultado nas urnas foi desigual. Mas o desgaste político foi coletivo.

O curioso? Hoje os movimentos indicam reaproximações indiretas dentro de um mesmo campo anti-Casagrande. A política capixaba parece funcionar como um grande tabuleiro giratório: adversários de ontem tornam-se aliados circunstanciais de amanhã.

Pazolini e a crise de identidade ideológica

Se há um personagem que sintetiza a fluidez ideológica do momento, esse nome é Lorenzo Pazolini.

Prefeito de Vitória e figura nacionalmente conhecida, Pazolini tornou-se alvo de questionamentos públicos quando o deputado Gilvan da Federal declarou que ele “nunca foi e nunca será de direita”.


A frase não foi apenas provocação. Foi um recado político.

Pazolini construiu sua trajetória transitando entre discursos de combate à corrupção, pautas conservadoras e alianças pragmáticas. Agora, ao se aproximar de figuras que já estiveram ligadas à esquerda ou ao governo estadual, alimenta críticas sobre coerência ideológica.

Para adversários, ele confirma o que Gilvan disse.

Para aliados, ele amplia seu alcance político.

Polêmicas públicas e desgaste de imagem

Como se o embate ideológico não bastasse, Pazolini também enfrentou forte repercussão após episódio amplamente divulgado envolvendo viagem ao Nordeste ao lado de sua vice-prefeita.

A prefeitura afirmou que não houve uso de recursos públicos e decisões judiciais determinaram remoção de conteúdos considerados falsos ou exagerados. Ainda assim, o dano político já estava feito.

Na política moderna, a percepção muitas vezes pesa mais que o fato jurídico.

E Pazolini também carrega histórico de tensões administrativas com ex-integrantes da própria gestão, o que reforça críticas sobre estilo centralizador e conflitos internos.

Ramalho: reposicionamento ou sobrevivência?

Alexandre Ramalho talvez represente o caso mais emblemático da volatilidade atual.

De secretário estadual a candidato municipal. De adversário feroz de Arnaldinho a integrante de grupo político ligado a Pazolini. De aliado do governo a crítico.

É estratégia?

É pragmatismo?

Ou apenas instinto de sobrevivência eleitoral?

O eleitor observa.

Casagrande e a sucessão ameaçada

Enquanto isso, Casagrande articula a continuidade do seu grupo com o nome de Ricardo Ferraço como herdeiro político.

Mas governar bem não garante unidade eterna.

O que antes era um campo alinhado agora se fragmenta em três movimentos claros:

O núcleo governista defendendo continuidade.

Prefeitos fortalecidos buscando protagonismo estadual.

Lideranças tentando redefinir identidade ideológica.


A pergunta que paira

O Espírito Santo assiste a uma disputa que mistura ambição, ressentimento e cálculo eleitoral.

Arnaldinho rompe.

Ramalho reposiciona.

Pazolini é questionado ideologicamente.

Gilvan dispara críticas públicas.

Casagrande tenta manter o controle do tabuleiro.

No meio disso tudo, a palavra mais repetida nos bastidores é “traição”.

Mas talvez o termo mais adequado seja outro: reconfiguração de poder.

Porque na política, alianças não são eternas, são circunstanciais.

E 2026 já começou.