Vitória Coffee Summit reúne líderes globais do café no Cais das Artes em agosto
Evento acontece nos dias 20 e 21 de agosto e marca os 80 anos do Centro do Comércio de Café de Vitória
Por Charles Manga
Vitória será palco, nos dias 20 e 21 de agosto de 2026, de um dos principais encontros do setor cafeeiro no Espírito Santo. O Vitória Coffee Summit 2026, promovido pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), reunirá no Cais das Artes, na Enseada do Suá, produtores, exportadores, cooperativas, indústrias, especialistas e lideranças nacionais e internacionais ligadas à cadeia do café.
A edição deste ano ganha significado especial por marcar os 80 anos do CCCV, entidade fundada em 1947 e que, ao longo de oito décadas, acompanha as transformações do mercado e a importância do Espírito Santo na produção e comercialização de café.
Mais do que celebrar a trajetória da instituição, o Summit chega em um momento de profundas mudanças no mercado mundial. Tensões geopolíticas, oscilações cambiais, exigências ambientais cada vez maiores, mudanças no comportamento do consumidor e a volatilidade dos preços vêm pressionando produtores e empresas e exigindo novas estratégias para toda a cadeia.
A proposta do encontro é justamente colocar esses movimentos em discussão. A programação prevê palestras, workshops e debates sobre inteligência de mercado, tendências de consumo, gestão, competitividade e novas oportunidades para o café brasileiro no mercado internacional.
Espírito Santo ganha protagonismo
O cenário capixaba reforça a importância do encontro. A produção estadual deve alcançar 19 milhões de sacas de café em 2026, segundo projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), crescimento de 9% em relação a 2025.
O conilon representa a maior parcela desse volume, com previsão de 14,9 milhões de sacas. O número corresponde a aproximadamente 67% de toda a produção nacional da variedade. Já o café arábica deve chegar a 4,2 milhões de sacas, avanço de 26,5% na comparação com o ano anterior.
Os números colocam o Espírito Santo em uma posição estratégica no mercado brasileiro e ajudam a explicar a escolha de Vitória como sede de um evento voltado à discussão dos rumos da cafeicultura mundial.
Outro diferencial destacado pelo CCCV é a proximidade entre as regiões produtoras e o Porto de Vitória. Para o setor, essa conexão logística representa uma vantagem competitiva importante para a movimentação do café destinado ao comércio exterior.
Um mercado em transformação
Para Marcus Magalhães, responsável pela curadoria técnica do Vitória Coffee Summit, a cafeicultura atravessa uma mudança estrutural, que exige dos diferentes elos da cadeia uma visão cada vez mais ampla do mercado.
“O café vive um momento de transformação profunda. O mercado internacional mudou, o consumidor mudou e a dinâmica dos negócios também mudou. Hoje, não basta produzir bem. É preciso compreender cenários, antecipar movimentos e construir conexões estratégicas.”
A avaliação sintetiza a proposta do Summit: aproximar quem produz, comercializa, industrializa e consome café para discutir não apenas os desafios atuais, mas também as oportunidades que podem surgir diante das mudanças no mercado global.

Secagem do conilon entra na pauta
Entre os assuntos que devem ganhar espaço no evento está uma iniciativa do CCCV considerada estratégica para elevar a competitividade do café capixaba: o projeto desenvolvido em parceria com a ES Gás para estimular a substituição da lenha pelo gás natural no processo de secagem do conilon.
A secagem é uma etapa fundamental da produção. O controle adequado desse processo influencia diretamente a qualidade do grão e, consequentemente, seu potencial de valorização no mercado.
A aposta do setor é que uma tecnologia de secagem mais controlada possa contribuir para a obtenção de cafés com maior padrão de qualidade, abrindo espaço para melhores oportunidades comerciais e ampliando a presença do produto capixaba no exterior.
Mais conilon, mais pressão por qualidade
O aumento previsto da produção de conilon também coloca um desafio para o Espírito Santo: transformar o crescimento de volume em maior valor agregado.
Para Fabrício Tristão, presidente do CCCV, a expansão da produção precisa ser acompanhada por investimentos capazes de melhorar a qualidade e aumentar a participação do café capixaba no mercado internacional.
“A etapa da secagem ainda representava um dos principais desafios para ganhos mais expressivos de qualidade na exportação. Com este projeto, damos um passo decisivo para superar essa barreira. A utilização do gás natural tem potencial para elevar significativamente o padrão do café capixaba, agregando valor, ampliando as oportunidades de exportação e fortalecendo a competitividade do nosso mercado.”
A discussão sobre a secagem mostra que a agenda do setor vai além do aumento da produtividade. Em um mercado internacional cada vez mais atento à qualidade, à rastreabilidade, à sustentabilidade e à eficiência, a capacidade de entregar um produto diferenciado pode ser determinante para conquistar novos mercados.
Vitória como ponto de encontro do café
Ao reunir representantes de diferentes segmentos da cadeia, o Vitória Coffee Summit pretende transformar a capital capixaba em um ponto de encontro para discussões estratégicas sobre o futuro do café.




