TSE determina investigação sobre filiação de Flávio Bolsonaro ao Missão

Por Charles Manga


Alteração no cadastro eleitoral ocorreu às vésperas do prazo para registro da candidatura; Tribunal descarta invasão do sistema e aponta uso indevido de credenciais

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a abertura de um inquérito para investigar como o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL) foi incluído no cadastro de filiados do partido Missão, situação que chegou a impedir temporariamente o registro de sua candidatura à Presidência da República.

Flávio afirma que nunca solicitou a filiação e classificou o episódio como uma tentativa de impedir sua candidatura. “Mais uma vez o sistema armou para tentar me derrubar”, declarou o senador.

O caso ganhou ainda mais repercussão porque a alteração ocorreu justamente na reta final do prazo para registro das candidaturas.
Mas há um detalhe que torna o episódio ainda mais grave: o próprio TSE afirma que não houve invasão do sistema eleitoral. Segundo o Tribunal, a filiação foi registrada mediante o uso indevido de credenciais de uma pessoa habilitada a realizar filiações em nome do Missão.

A investigação deverá identificar quem utilizou essas credenciais e em quais circunstâncias.

O próprio Missão também afirma ter sido vítima de uma fraude. Em nota, o partido declarou que seu sistema identificou a tentativa de filiação e informou que possui registros de logs, e-mails e IPs que poderão ser entregues às autoridades.

A situação criou uma circunstância incomum: Flávio Bolsonaro diz que não pediu a filiação; o Missão diz que não autorizou a operação; e o TSE agora quer descobrir quem utilizou as credenciais do partido para realizar o registro.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, encaminhou o caso à Procuradoria-Geral Eleitoral e determinou a investigação pela Polícia Judiciária. O PL também acionou a Justiça Eleitoral e a Polícia Federal.

A filiação de Flávio ao PL foi posteriormente restabelecida, permitindo o prosseguimento do registro de sua candidatura.

Agora, a principal pergunta não é apenas quem tentou alterar a filiação de Flávio Bolsonaro, mas quem teve acesso às credenciais utilizadas e por que essa operação aconteceu justamente às vésperas do prazo eleitoral.
A resposta dependerá da investigação.


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