"Procuro não pensar nisso", diz Tatiana Sampaio sobre expectativa de feito histórico
Postado 26/02/2026 22H39
No Espírito Santo, cientista que coordena os estudos com polilaminina para tratamento de lesões medulares falou que é preciso ter "cautela"
Por Redação Jornal Ativa Online
A bióloga Tatiana Sampaio esteve no Espírito Santo nesta quinta-feira (26), onde recebeu do governo do Estado a Comenda Jerônimo Monteiro, e da Assembleia Legislativa a comenda “Domingos Martins”, as duas maiores honrarias dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado. A pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que coordena os estudos com para o tratamento de lesões medulares, agradeceu pelos reconhecimentos e, pregando cautela, comentou sobre a possibilidade de “estar fazer história”
"Procuro não pensar. É difícil porque não está fechado ainda. Essa cautela não é ‘fazer gênero’, é uma cautela de verdade. A gente precisa de mais demonstração, mais pacientes e uma coleta de dados mais estruturada. Como pessoa, eu quero ajudar, mas causa uma angústia como cientista”. Tatiana Sampaio
Tatiana ainda falou sobre a exposição que o estudo e ela têm tido recentemente. Para ela, criar expectativas na população dá um “certo medo”, mas a divulgação das pesquisas e dos resultados parciais é importante para o avanço e para o apoio. Antes da divulgação, foram quatro anos de trabalho para captar oito pacientes.
Parece um ‘Big Brother’, todo mundo sabe o que a gente está fazendo e isso é um pouco desconfortável. Receber esse tipo de apoio, de carinho e vibração é uma forma de sentir que estamos fazendo escolhas acertadas. Fico feliz com isso”. Tatiana Sampaio
Tatiana também falou sobre a primeira fase de testes clínicos, que foi aprovada nesta quarta-feira 25, pelo Comitê de Ética do Hospital das Clínicas e será realizada com um grupo de cinco pacientes em São Paulo. Segundo a pesquisadora, os tratamentos atualmente realizados por meio de liminares judiciais dificultam uma coleta de dados estruturada. Com os testes clínicos, os estudos serão realizados em um grupo controlado, com acompanhamento próximo e regular.
Nos vários casos de uso compassivo, a coleta de dados não é estruturada. Os médicos ficam voando de um hospital para o outro, muitas vezes não dá tempo de fazer os testes que permitem dizer se a pessoa está melhorando ou não. Não há garantia da coleta de dados ideal. O ideal são os testes clínicos”. Tatiana Sampaio
Até o momento, foi feito um estudo clínico com oito pacientes e seis apresentaram melhora. Atualmente, outros pacientes têm recebido o tratamento por decisão judicial, incluindo . Eles são acompanhados pela equipe por meio de relatórios, mas sem estudo clínico.
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