Espírito Santo em ebulição: alianças rompidas, rivalidades expostas e a disputa antecipada pelo Palácio Anchieta
Postado 18/02/2026 12H34
Casagrande, Arnaldinho, Pazolini e Ramalho protagonizam reconfiguração política que fragmenta antigos aliados e redesenha o tabuleiro eleitoral de 2026
Por Charles Manga- Jornal Ativa ES
O cenário político do Espírito Santo entrou em fase de turbulência antecipada. O que até pouco tempo parecia uma base relativamente coesa sob a liderança do governador Renato Casagrande (PSB) transformou-se em um ambiente de disputas abertas, críticas públicas e rearticulações estratégicas mirando a sucessão estadual em 2026.
Entre movimentos partidários, declarações incisivas e rivalidades municipais, nomes como Arnaldinho Borgo, Lorenzo Pazolini e Alexandre Ramalho passaram de aliados circunstanciais a protagonistas de um campo político fragmentado, marcado por acusações de incoerência ideológica e, para alguns grupos, de traição.
A ruptura entre Arnaldinho e Casagrande: de aliados a projetos concorrentes
Durante o primeiro mandato de Arnaldinho em Vila Velha, houve alinhamento institucional com o governo estadual. Investimentos e parcerias administrativas reforçaram a ideia de unidade no campo político que orbitava Casagrande.
No entanto, com a aproximação da corrida estadual, Arnaldinho passou a estruturar projeto próprio. Sua reeleição em 2024 com votação expressiva consolidou capital político suficiente para ambições maiores. O movimento de distanciamento da base governista foi interpretado por aliados de Casagrande como uma ruptura estratégica e, nos bastidores, como “traição política”.
A tensão deixou de ser silenciosa e passou a ser tema recorrente nas análises políticas locais: dois projetos que antes caminhavam paralelamente agora disputam o mesmo eleitorado.
Arnaldinho x Ramalho: a rivalidade municipal que ecoa no estado
A eleição municipal de 2024 em Vila Velha evidenciou uma disputa acirrada entre Arnaldinho e Alexandre Ramalho, então candidato pelo PL.
A campanha foi marcada por críticas diretas à gestão municipal, debates duros e polarização retórica. Ramalho atacava o que chamava de falhas administrativas; Arnaldinho defendia continuidade e obras realizadas.
O resultado foi contundente: Arnaldinho venceu com ampla maioria, enquanto Ramalho terminou distante nas urnas. O embate, porém, deixou marcas políticas que ultrapassam o âmbito municipal e influenciam a atual configuração estadual.
Gilvan da Federal e o questionamento ideológico sobre Pazolini
Em meio à reorganização política, o deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES) fez uma declaração que repercutiu nos círculos políticos capixabas. Durante evento partidário, afirmou que:
“Pazolini nunca foi e nunca será de direita.”
A fala foi noticiada pela Rádio Ativa ES e interpretada como uma crítica à trajetória ideológica de Lorenzo Pazolini, hoje prefeito de Vitória e nome frequentemente citado como possível candidato ao governo.
A declaração expôs fissuras dentro do próprio campo conservador e reforçou a percepção de que Pazolini transita entre espectros políticos, construindo alianças pragmáticas mais do que ideológicas.
Pazolini: polêmicas públicas e desgaste político
Em 2025, Pazolini foi alvo de forte repercussão nacional após divulgação de imagens em evento no Nordeste ao lado de sua vice-prefeita. O episódio ganhou dimensão nas redes sociais e em portais de notícias.

A prefeitura informou que não houve uso de recursos públicos na viagem e decisões judiciais posteriores determinaram retirada de conteúdos considerados falsos ou exagerados. Ainda assim, o caso ampliou o debate sobre conduta pública e imagem institucional.
Além disso, no primeiro mandato, Pazolini enfrentou desgaste político em episódios de tensão com sua então vice-prefeita, que chegou a alegar cerceamento político e violência institucional. Esses episódios reforçaram críticas sobre estilo de liderança e articulação interna.
Ramalho: da segurança estadual à recomposição estratégica
Ex-secretário de Segurança no governo Casagrande, Alexandre Ramalho deixou a gestão estadual, disputou eleição municipal e, após derrota, passou a integrar administração ligada a Pazolini.

A mudança de posição política foi vista por críticos como reposicionamento estratégico diante da derrota eleitoral. Para aliados, trata-se de continuidade na vida pública. Para adversários, mais um exemplo da fluidez ou instabilidade das alianças no estado.
O pano de fundo: sucessão estadual e divisão interna
Enquanto isso, Casagrande articula a continuidade de seu grupo político com o nome de Ricardo Ferraço como possível sucessor.
O que se observa hoje é um campo político que antes parecia coeso, mas que agora apresenta múltiplos polos:
Um núcleo governista defendendo continuidade administrativa;
Uma ala municipal fortalecida que busca protagonismo estadual;
Um segmento conservador tentando consolidar identidade própria;
E alianças cruzadas que confundem fronteiras ideológicas.
Conclusão: entre estratégia e percepção de traição
O atual momento político do Espírito Santo pode ser resumido como um período de transição turbulenta.
Há fatos objetivos:
✔ Reposicionamentos partidários
✔ Disputas municipais intensas
✔ Declarações públicas questionando coerência ideológica
✔ Rupturas entre antigos aliados
Mas há também narrativas:
A palavra “traição” aparece com frequência nos bastidores, especialmente em relação ao rompimento entre Arnaldinho e Casagrande.
Questionamentos sobre identidade ideológica cercam Pazolini.
Mudanças estratégicas marcam a trajetória de Ramalho.
No fim, o eleitor capixaba observará se essas rupturas representam renovação política ou apenas reorganização de poder.
A única certeza é que o Espírito Santo entra no ciclo eleitoral de 2026 mais dividido do que esteve nos últimos anos.
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