Três mil e quatrocentos civis foram mortos pelo regime do Irã nos protestos, enquanto Lula segue blindando um sistema sanguinário

 Redação Ativa ES

O que acontece hoje no Irã não é um excesso pontual nem um desvio isolado. Trata-se do funcionamento normal de um sistema que governa pelo medo, pela violência institucionalizada e pela eliminação física da oposição.

Os números mais recentes divulgados por organizações internacionais apenas escancaram aquilo que o regime dos aiatolás pratica há décadas, agora de forma ainda mais aberta.

De acordo com a ONG Direitos Humanos no Irã, sediada na Noruega, mais de 3.400 pessoas já morreram desde o início da atual onda de protestos. A maioria esmagadora são manifestantes comuns, jovens, trabalhadores, mulheres, cidadãos que decidiram enfrentar um Estado que não admite questionamento.

Esse levantamento, vale destacar, cobre apenas alguns dias e foi feito com base em informações internas do próprio sistema de saúde iraniano, o que reforça a gravidade do cenário. Com a internet bloqueada e jornalistas impedidos de atuar, a realidade tende a ser ainda mais brutal do que os números conseguem revelar.

O regime liderado pelo aiatolá Ali Khamenei responde às manifestações com tiros, prisões em massa, julgamentos sumários e execuções. Mais de 18 mil pessoas já foram detidas. O Judiciário, completamente subordinado ao poder político e religioso, anunciou que dará prioridade a processos rápidos, um eufemismo para condenações sem direito à ampla defesa.

A execução iminente do jovem Erfan Soltani, preso durante um protesto e condenado em tempo recorde, expõe a mensagem que Teerã deseja transmitir à população: contestar o regime custa a vida.

Essa engrenagem repressiva não se sustenta apenas pela força interna. Ela sobrevive também graças a alianças internacionais que relativizam ou silenciam diante da barbárie. O governo brasileiro, sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, mantém relações diplomáticas e políticas com o Irã, tratando o regime como parceiro estratégico e evitando condenações claras às violações sistemáticas de direitos humanos.

Em fóruns internacionais, o discurso é o da soberania e do diálogo, enquanto milhares de opositores são mortos ou encarcerados por ousarem protestar. Não se trata de um detalhe diplomático. Ao escolher esse alinhamento, o governo brasileiro envia um sinal político. Regimes que perseguem, censuram e eliminam adversários passam a ser tratados como interlocutores legítimos, desde que compartilhem afinidades ideológicas.

O resultado é a normalização da violência de Estado, apresentada como questão interna ou conflito cultural. Do outro lado do tabuleiro, os Estados Unidos adotaram postura oposta. O presidente Donald Trump afirmou publicamente que novas mortes não serão toleradas e que o regime iraniano pagará um preço elevado caso prossiga com execuções e massacres. Independentemente das controvérsias que cercam sua política externa, o recado é direto e compreensível para quem está nas ruas do Irã tentando sobreviver. As manifestações atuais deixaram de ser apenas protestos contra a crise econômica.

Elas se transformaram em um levante contra a própria República Islâmica, instaurada em 1979, que combina religião, autoritarismo e controle absoluto da sociedade. Quando um governo só se mantém por meio da violência, como observou o chanceler alemão Friedrich Merz, ele já perdeu qualquer legitimidade perante seu povo. Ignorar esse quadro, relativizá-lo ou tratá-lo como um tema distante é uma escolha política. O Irã mostra até onde um sistema fechado pode chegar quando não encontra resistência internacional consistente.

E expõe, de forma desconfortável, quem escolhe se associar a esse modelo. A morte de milhares de opositores não é um efeito colateral. É a regra do autoritarismo!

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