ESCÂNDALO DO INSS: CPI APONTA PASTORES EVANGÉLICOS EM INVESTIGAÇÃO
Postado 16/01/2026 00H23
Por Charles Manga — Jornal Ativa ES OnLine
Em meio ao maior escândalo de fraudes e desvios envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) nos últimos anos, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) instalada no Congresso Nacional ampliou seus focos de apuração para incluir nomes de líderes religiosos e instituições evangélicas que podem ter participado de esquemas suspeitos ligados a descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) tornou público uma lista de pastores, igrejas e entidades que constam nos requerimentos que pedem convocação para depoimento à CPMI e até a quebra de sigilo bancário para investigações mais profundas. Entre os nomes que mais chamaram atenção nas últimas semanas está o do pastor André Machado Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha Global, um dos maiores polos evangélicos do país.
Quem são os investigados
De acordo com documentos oficiais, entre os requerimentos apresentados constam:
Convocação e possível transferência de sigilo bancário de André Machado Valadão.
Convocação de André Fernandes para prestar depoimento.
Outros líderes citados incluem César Bellucci do Nascimento, Péricles Albino Gonçalves e Fabiano Campos Zettel, além de igrejas como Adoração Church, Assembleia de Deus Ministério do Renovo e SeteChurch.
Segundo a senadora Damares, todos os pedidos se baseiam em indícios levantados a partir de documentos como relatórios de inteligência financeira (RIFs) e informações da Receita Federal, e as investigações estão em curso com o respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência.
O “filho pródigo” que virou protagonista
O envolvimento do pastor André Valadão — figura conhecida nacionalmente não apenas no meio religioso, mas também empresarial — se tornou um dos pontos mais polêmicos dessa etapa da CPI. Seu nome lidera as citações em requerimentos formais por parte dos parlamentares e, por isso, ele tem sido colocado como um dos principais alvos do colegiado.
No entanto, a Igreja Batista da Lagoinha e o próprio pastor negam qualquer vínculo com atos fraudulentos, afirmando que não há provas concretas de participação em irregularidades ou desvio de recursos do sistema previdenciário. Em nota pública divulgada recentemente, a instituição destacou que não é alvo direto de investigação formal e que o nome foi “associado de forma equivocada” às apurações em andamento.
Acusações cruzadas e tensões denominacionais
Além da dimensão criminal da investigação, a situação tem aprofundado desentendimentos internos no meio evangélico. O pastor Silas Malafaia, por exemplo, criticou abertamente a divulgação dos nomes, chegando a desafiar a senadora Damares a expor publicamente os envolvidos.
No entanto, o caso de André Valadão tem recebido cobertura e interpretações controversas nas redes sociais e em veículos religiosos, que vão além da esfera jurídica. Algumas publicações e comentários associam o líder religioso a ataques a outras denominações, como a Igreja Adventista e diversas lideranças protestantes, acusando-o de distorcer preceitos bíblicos para benefícios pessoais e busca de poder. Esses relatos circulam de forma intensa, mas não fazem parte de processos oficiais ou denúncias formais perante a CPI ou órgãos de Justiça — ou seja, tratam-se de narrativas e opiniões que ainda carecem de comprovação legal. (Nota de editorial: tais acusações estão sendo mencionadas em ambientes de redes sociais e comunidades online; elas não constam em documentos públicos da CPI).
O sentido das investigações
A CPMI do INSS foi criada em 2025 para investigar um esquema que, segundo alguns relatórios preliminares, pode ter causado prejuízos bilionários aos cofres da Previdência, envolvendo descontos indevidos ou movimentos financeiros suspeitos relacionados a associações, empresas, entidades e agora, segundo os requerimentos apresentados, organizações religiosas e seus líderes.
Os próximos passos devem incluir a coleta de depoimentos, a análise de documentos bancários e fiscais e, possivelmente, a identificação de responsabilidades civis e penais caso sejam comprovadas irregularidades.
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