O disfarce da esquerda, o PSDB e a disputa pelo poder no Espírito Santo
Postado 31/12/2025 07H09
Por Charles Manga
Ao longo das últimas décadas, a política brasileira foi marcada por alianças que, segundo críticos, ajudaram a sustentar o projeto de poder da esquerda no país. Entre os partidos frequentemente citados nesse contexto está o PSDB, que apesar de ter surgido como uma alternativa ao PT, passou a ser acusado por analistas e opositores de atuar como um amortecedor político do lulismo, especialmente nos momentos mais críticos para os governos petistas.
O PSDB nacional e o legado de Fernando Henrique Cardoso
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, principal nome histórico do PSDB, governou o Brasil entre 1995 e 2002. Embora tenha se apresentado como opositor ideológico do PT, FHC manteve ao longo dos anos uma relação política considerada cordial e estratégica com Luiz Inácio Lula da Silva. Para críticos, essa aproximação contribuiu para a consolidação da hegemonia da esquerda no país.
O legado tucano é frequentemente associado a privatizações controversas, denúncias políticas e à ausência de um enfrentamento firme ao avanço do PT. Mesmo sem condenações judiciais contra FHC, adversários afirmam que seu posicionamento posterior — inclusive em defesa da democracia ao lado de Lula — reforçou a percepção de que o PSDB atuou, direta ou indiretamente, na proteção do projeto petista.
A esquerda no poder no Espírito Santo
No Espírito Santo, esse alinhamento ideológico se manifesta de forma mais explícita no atual governo estadual. Renato Casagrande, filiado ao PSB, é amplamente reconhecido como um governador de perfil de esquerda, aliado histórico do PT e apoiador do presidente Lula. Casagrande participou ativamente das articulações políticas que sustentaram o retorno do petista ao Palácio do Planalto e mantém relação próxima com lideranças nacionais do campo progressista.
Seu possível sucessor, Ricardo Ferraço, também é apontado como integrante desse mesmo campo político. Apesar de já ter passado por diferentes partidos, Ferraço é visto hoje como um nome alinhado ao projeto político de Casagrande, defendendo pautas semelhantes e sendo tratado como continuidade direta do atual governo. Para opositores, trata-se de mais um representante da esquerda capixaba, com baixa empolgação popular e dificuldades de construir uma candidatura competitiva fora da estrutura governista.
Aproximação com o MST e críticas recentes
A atuação do governador Renato Casagrande voltou a gerar críticas recentemente após o apoio institucional a um evento organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). O MST é um movimento historicamente ligado ao PT e às pautas da esquerda radical, sendo alvo constante de controvérsias no debate público nacional.
Para críticos do governo estadual, o apoio a esse evento reforça o alinhamento ideológico de Casagrande com movimentos sociais ligados ao lulismo e à esquerda, além de gerar questionamentos sobre o uso de espaços públicos e universitários para manifestações de cunho político. Aliados do governador, por outro lado, defendem a iniciativa como parte do diálogo democrático com movimentos sociais.
Arnaldinho Borgo rompe com Casagrande e mira o governo do Estado
Nesse cenário, o prefeito de Vila Velha e presidente estadual do PSDB, Arnaldinho Borgo, rompeu politicamente com Renato Casagrande e passou a se posicionar como uma alternativa ao grupo que governa o estado há anos. Arnaldinho se opõe abertamente à candidatura de Ricardo Ferraço, apontado como herdeiro político do atual governador.
Nos bastidores, analistas avaliam que Arnaldinho possui chances limitadas de chegar a um segundo turno em uma eventual disputa ao governo. No entanto, sua candidatura teria potencial para atrapalhar significativamente os planos de Casagrande, fragmentando o eleitorado e dificultando a manutenção do legado político do atual governo estadual.
Problemas administrativos em Vila Velha
Enquanto articula sua projeção estadual, Arnaldinho enfrenta críticas em Vila Velha. Moradores reclamam da quantidade de buracos, do asfalto irregular em importantes avenidas e do caos no trânsito, que se agrava em horários de pico. Obras como a ampliação do Corredor Expresso da Rodovia Carlos Lindenberg, realizadas em parceria entre município e estado, têm causado transtornos à população.
Outras queixas recorrentes envolvem a segurança pública e a excessiva sinalização de radares, que, segundo motoristas, mais atrapalham do que organizam o tráfego, especialmente em uma cidade onde o fluxo de veículos cresce a cada ano.
O xadrez político para 2026
Mesmo com os desafios, Arnaldinho segue investindo em visibilidade política. O prefeito tem intensificado visitas a cidades do interior e municípios vizinhos, apostando na construção de uma imagem estadual. No último dia 30 de dezembro, participou da inauguração do Atacadão Assaí, na Rodovia Carlos Lindenberg, evento usado como vitrine de desenvolvimento econômico.
Enquanto isso, cresce a expectativa em torno do grupo político liderado pelo senador Magno Malta, que recentemente, ao lado de Flávio Bolsonaro, afirmou possuir nomes fortes para a disputa ao governo do Espírito Santo, prometendo anunciar candidaturas em breve.
Um cenário em transformação
A política capixaba entra em um período decisivo. De um lado, um grupo de esquerda consolidado, liderado por Renato Casagrande e alinhado a Lula, ao PT e a movimentos sociais como o MST. Do outro, candidaturas que tentam se apresentar como alternativa a esse modelo de poder. Os próximos meses devem intensificar os embates e definir quem conseguirá transformar discurso político em apoio real nas urnas.
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